domingo, 3 de julho de 2011

Suicídio entre médicos e estudantes de medicina





O mundo está se tornando mais saudável, e a saúde da população se deve ao trabalho dos médicos e ao avanço tecnológico, embora aqueles continuem a trabalhar contra os próprios interesses.

Simon e Lumry1 apontam algumas razões para a elevada taxa de suicídios entre os médicos:

1) médicos tendem a negar o estresse de natureza pessoal;
2) médicos tendem a negar o desconforto psicológico;
3) inclinações suicidas são acobertadas (tratamento mais difícil);
4) médicos elaboram, mais freqüentemente, esquemas defensivos (fecham-se para qualquer intervenção terapêutica eficaz);
5) negligência da família e dos colegas (ele é médico, sabe se cuidar); os médicos têm o meio do suicídio ao alcance das mãos (métodos mais eficazes para o êxito).

Em 1903, o editorial do Journal American Association2 expôs que os médicos com uma predisposição mórbida, e sem princípios elevados ou inibições morais, optavam pelo suicídio como uma maneira direta e efetiva de eliminar seus problemas. Merecem atenção, aqui, as tendências materialistas que acreditamos existir entre os médicos, pois a morte lhes é familiar, em todas as suas formas, além de terem o meio do suicídio ao alcance das mãos.

FATORES DE RISCO NA POPULAÇÃO MÉDICA

O risco de suicídio é quase sempre reconhecível e previsível. Esforços precisam ser feitos para melhorar o diagnóstico, terapêuticas e prevenção daqueles médicos que fazem gestos ou tentativas de suicídio, e, muitas vezes, com sucesso. Sabemos que tentativas e atos suicidas são gritos de ajuda ("cry for help" — Stengel9), desejos de comunicação que precisam ser respondidos direta e imediatamente. A falta de controle pode, muitas vezes, conduzi-lo para comportamentos impulsivos ou imaturos e, possivelmente, para o suicídio.

Como na população geral, encontram-se fatores importantes com relação a idade, sexo, profissão, estado físico e fatores psicossociais














LETALIDADE E DISPONIBILIDADE DO MÉTODO

O uso de um método para suicídio está intimamente relacionado com sua disponibilidade, aceitação cultural e a letalidade25.

A ingestão excessiva de drogas é uma forma de suicídio muito aceita culturalmente, sendo os medicamentos, principalmente os psicofármacos, utilizados na maioria dos suicídios de médicos







CONCLUSÕES

É fundamental o preparo do estudante de medicina diante das reais condições de seu futuro trabalho, não estimulá-lo a utilizar idealizações onipotentes para enfrentar situações de difícil controle durante sua vida profissional.

Para o médico já em exercício da profissão, um programa de conscientização e orientação de que a informação técnica anteriormente adquirida não lhe dá imunidade aos conflitos emocionais. Publicações constantes para familiarização por parte dos colegas médicos com a profilaxia e reconhecimento dos sinais preditivos de suicídio. Desenvolvimento de uma assistência psiquiátrica e psicoterápica para médicos em risco de suicídio. Preparo de profissionais para lidar com esse grupo de pacientes, pois os sentimentos positivos e negativos da contratransferência se misturam, principalmente os de identificação. É imperativo que a equipe defina sua relação com o paciente-médico e enfatize a sua responsabilidade de cooperação, evitando privilégios especiais. Pensamos ser importante que a equipe não seja familiar (conhecida) do paciente médico.

Como dizem Rose e Rosow, o suicídio médico é um desperdício trágico de recurso humano.

Nossa classe deve tornar mais sensível a existência desse problema e mais apta a reconhecer "o pedido de ajuda" de um colega e de si mesmo, sem, contudo, deixar de zelar pelos interesses do público.

FONTE:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42301998000200012

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Brasil, país Rivotril.


Venda de calmante tem alta de 36% em quatro anos no Brasil
Em 4 anos, salto foi de 36%; tranquilizante é o 2º mais vendido entre drogas com receita e só perde para anticoncepcional. Para psiquiatras, há um abuso na indicação do tarja preta clonazepam, que causa dependência e danos na memória.


A venda do ansiolítico clonazepam disparou nos últimos quatro anos no Brasil, fazendo do remédio o segundo mais comercializado- entre as vendas sob prescrição.


Entre 2006 e 2010, o número de caixinhas vendidas saltou de 13,57 milhões para 18,45 milhões, um aumento de 36%. O Rivotril domina esse mercado, respondendo por 77% das vendas em unidades (14 milhões por ano).

O levantamento foi feito pelo IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica, a pedido da Folha. O tranquilizante só perde hoje para o anticoncepcional Microvlar (em média, 20 milhões de unidades por ano).
Para os psiquiatras, há um abuso na indicação desse medicamento tarja preta, que causa dependência e pode provocar sonolência, dificuldade de concentração e falhas da memória.


Eles apontam algumas hipóteses para explicar o aumento no consumo: as pessoas querem cada vez mais soluções rápidas para aliviar a ansiedade e o clonazepam é barato (R$ 10, em média).
Médicos de outras especialidades podem prescrever o ansiolítico e há falta de fiscalização das vigilâncias sanitárias no comércio da droga.


Procurada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não se manifestou sobre o assunto.
Para o psiquiatra Mauro Aranha de Lima, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), é “evidente” que existe indicação inapropriada do remédio, especialmente por parte de médicos generalistas, não familiarizados com a saúde mental.


Muitos pacientes, segundo ele, já chegam ao consultório com queixas de ansiedade e pedindo o Rivotril. “As pessoas trabalham até tarde, chegam em casa ansiosas e querem dormir logo. Não relaxam, não se preparam para o sono. Tomar Rivotril ficou mais fácil”, diz ele, também presidente do Conselho Estadual Sobre Drogas.


Lima explica que entre as medidas adotadas pelo Cremesp para conter o abuso no uso do remédio estão cursos de educação continuada voltados a médicos generalistas.
Na sua opinião, a precariedade do atendimento de saúde mental no país também propicia o abuso do remédio.


INDICAÇÃO DE AMIGO


O psiquiatra José Carlos Zeppellini conta que recebe muitos pacientes que não tinham indicação para usar o remédio e que se tornaram dependentes da droga.


“Em geral, começaram a tomá-lo por sugestão de amigos e vizinhos, em um momento de tristeza, após terminar um namoro, por exemplo. Não é doença. Depois, não conseguem parar de tomá-lo porque têm medo de não se adaptar. É mais uma dependência psíquica do que física”, acredita ele.


Entre os usuários do Rivotril, existe um misto de glamorização e demonização em relação à droga.
Páginas no Facebook, classificadas na categoria entretenimento, tratam o Rivotril como “remedinho maravilhoso”. Outros grupos on-line, porém, discutem a dependência e os efeitos colaterais do remédio.

Dependência ocorre após 3 meses, segundo psiquiatra

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor na Unifesp e coordenador da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), alerta que três meses de uso do Rivotril já são suficientes para criar uma dependência da droga. Para ele, a falta de fiscalização no comércio do remédio, o baixo preço e um possível “conluio” da indústria com o mercado poderiam explicar o sucesso do remédio no Brasil, que não se repete em outros países. A Roche, fabricante do Rivotril, informa que o remédio faz sucesso porque é eficaz e barato. Também diz que, como a droga está há muito tempo no mercado, não há ações de marketing. A seguir, trechos da entrevista à Folha:

Folha – A que o sr. atribui esse aumento do uso de Rivotril?
Ronaldo Laranjeira –
Temos uma vigilância sanitária muito falha no Brasil. Duvido que essa quantidade de prescrição seja legítima. Nos países desenvolvidos, a tendência é de diminuição dos benzodiazepínicos. A prescrição médica é mais rigorosa e fiscalizada, o que não acontece por aqui. É curioso saber também por que o Rivotril se destaca entre todos os benzodiazepínicos, coisa que não acontece lá fora.


Você tem alguma suspeita?
A gente pensa em algum conluio, em alguma colaboração da própria indústria com esse mercado ilegítimo ou cinza de venda do medicamento. Mas é só suspeita.


O fato de ser um remédio muito barato também ajuda?
Sem dúvida. A falta de controle na fiscalização e o baixo preço facilita o uso de qualquer droga. Por que no Brasil os opiáceos não são problema? Porque o controle é rigoroso e o preço é alto.


E quais os problemas reais que esse remédio causa?
Eles são hoje a principal causa de queda em idosos nos EUA. Os profissionais têm medo de prescrever e ser processados depois. Também não há indicação médica para seu uso regular. A maioria dos usuários no Brasil são crônicos, dependentes, às vezes de baixa dose. A pessoa pode ficar dependente e não necessariamente fazer uma escalada da droga. Pode usar um comprimido de Rivotril por dez, 20, 30 anos e ficar só naquela dose.

Em quanto tempo a pessoa se torna dependente
Em geral, após três meses.


E o que fazer se quiser parar?
Tem que ir diminuindo aos poucos a dose, por um período de seis semanas. Se parar de uma vez, tem risco de convulsões, de mal-estar. Mas, se a pessoa tem outros transtornos, precisa de avaliação.


Não vivo sem o meu Rivotril”, diz vendedora
Há cinco anos, a vendedora Mariana Vasconcelos do Prado, 26, não sabe o que é uma noite de sono sem o tranquilizante Rivotril. “Sei que estou dependente dele, mas não consigo largar porque me sinto muito bem”, diz ela.


Tudo começou com uma síndrome do pânico, quando ela se mudou de Atibaia (SP) para São Paulo, capital. “Tinha medo de morrer. Não dormia.”


O diagnóstico foi feito pelo psiquiatra da tia, de Pouso Alegre (MG). À época, ela recebeu a prescrição do Rivotril e do antidepressivo venlafaxina.


“Comecei com a dose de 125 mg [de venlafaxina] e hoje tomo 37,5 mg todos os dias. O psiquiatra já sugeriu que diminuíssemos a dose do Rivotril, mas não adianta”, conta.


“Não consigo dormir se eu não tomar 2 mg de Rivotril. Já entro em pânico só de pensar em ficar sem ele”, diz Mariana.


A dependência é tanta que, mesmo tomando o remédio só à noite, ela o carrega dentro da bolsa o tempo todo. “Não vivo sem o meu Rivotril. Já é uma dependência mais emocional do que física.”


Mariana passa por consulta com o psiquiatra uma vez por ano. Mas, a cada mês, o médico renova para ela as receitas dos remédios. Pelo Rivotril, ela paga R$ 8 a caixa com 30 comprimidos.

A ação do tranquilizante


ANSIEDADE
Estimula a ação de um ácido (conhecido como gaba) no cérebro, que inibe a ativação de áreas relacionadas ao medo e à ansiedade


SONO
Reforça os estágios do sono REM, que correspondem aos períodos de sonhos, mas reduz os estágios não REM. Essas fases são justamente as que restauram as atividades nos neurônios


INDICAÇÕES
Tratamento de vários transtornos mentais, como síndrome do pânico, distúrbio bipolar, depressão (usado como coadjuvante de antidepressivos). O remédio não é recomendado para aliviar tensões do cotidiano.


EFEITOS COLATERAIS
Sonolência, movimentos anormais dos olhos, movimentos involuntários dos membros, fraqueza muscular, fala mal articulada, tremor, vertigem, perda de equilíbrio, dificuldades no processo de aprendizagem e de memorização.


DEPENDÊNCIA
O tempo varia de pessoa para pessoa. Pode acontecer em um mês ou em um ano. Pacientes que tomam clonazepam não podem consumir álcool.

Relatório - Prevenção suicídio LGBTT

O relatório de consenso sobre LGBT comportamento suicida e prevenção já está disponível. Por favor, leia-se:

Um grupo de 26 investigadores de renome, médicos, educadores e especialistas em política lançaram um relatório abrangente sobre as causas subjacentes e prevalência de comportamento suicida em lésbicas, gays, bissexuais e transexuais adolescentes e adultos. O relatório será publicado como artigo principal da edição de janeiro de 2011 o Journal of Homosexuality. O artigo está disponível online e será exibida em impressas em 19 de janeiro.

Intitulado "suicídio e Risco em Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros Populações: Análise e recomendações", o relatório faz recomendações varrendo para fechar lacunas de conhecimento sobre o comportamento suicida em pessoas LGBT, e pede para fazer LGBT prevenção do suicídio uma prioridade nacional.

"Com este relatório e as recomendações, esperamos movimentar LGBT prevenção do suicídio diretamente na agenda nacional e fornecer um quadro para as acções destinadas a reduzir o comportamento suicida nessas populações", disse Ann Haas, autor e diretor de projetos de prevenção para AFSP . "É hora de o governo federal, agências de prevenção do suicídio, profissionais de saúde mental, os decisores políticos e organizações LGBT de se unir para trazer o problema para fora do armário e trabalhar em direção a soluções eficazes."

Apesar de quatro décadas de pesquisas que apontam para elevados índices de tentativas de suicídio entre as pessoas LGBT, as iniciativas nacionais de prevenção do suicídio, incluindo o 2001 Estratégia Nacional para a Prevenção do Suicídio, têm dado pouca atenção ao risco de suicídio de pessoas das minorias sexuais.
Principais conclusões e recomendações

• O relatório cita dados da investigação forte das taxas significativamente elevadas de vida relatadas tentativas de suicídio entre os adolescentes LGBT e adultos, em comparação com comparativamente-idade as pessoas heterossexuais. No entanto, os autores encontraram evidência empírica limitada dos maiores índices de mortes por suicídio nas pessoas LGBT, principalmente por causa da orientação sexual e identidade de gênero não são indicados nos registros de morte em os EUA ea maioria dos outros países.
• Apesar de vários estudos apontam para elevados índices de ansiedade, depressão e abuso de substâncias entre as minorias sexuais, o painel concluiu que estes problemas, por si só, não leva em consideração as taxas mais altas de tentativas de suicídio, que foram relatadas por pessoas LGBT. Assim, o relatório de consenso identificado o estigma ea discriminação como desempenhando um papel fundamental, especialmente atos como rejeição ou abuso por parte de membros da família ou colegas, assédio moral e, a denúncia de comunidades religiosas e discriminação individual. O relatório destacou também evidências de que leis discriminatórias e as políticas públicas têm um profundo impacto negativo sobre a saúde mental de adultos gay.
• Em uma série de recomendações, o painel de consenso sobre as organizações LGBT chamado para liderar os esforços para melhorar a identificação precoce da depressão, ansiedade, abuso de substâncias e outros transtornos mentais entre as pessoas LGBT, e empurrar para o desenvolvimento e teste de uma ampla gama de culturalmente mental adequados tratamentos de saúde e as iniciativas de prevenção do suicídio.
• O painel de consenso chamada para a revisão dos diagnósticos referentes a pessoas transexuais na 5 ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico (que deve sair em 2013) para afirmar que a identidade de gênero, expressão e comportamento que diferem do sexo de nascimento não é indicativa de um transtorno mental .
• Outras recomendações foco na melhoria da informação sobre as pessoas LGBT através da medição da orientação sexual e identidade de gênero em todos os inquéritos nacionais de saúde em que a privacidade dos entrevistados podem ser protegidos de forma adequada, e incentivar os pesquisadores para incluir estas medidas em estudos de população em geral relacionados ao suicídio e à saúde mental.
AFSP liderou o desenvolvimento do presente relatório, que surgiu a partir de uma conferência de consenso sobre LGBT risco de suicídio patrocinado pela Fundação, a Médica gay e lésbica de Associação e do Suicide Prevention Resource Center. O relatório é parte do esforço de prevenção do suicídio AFSP LGBT, que é financiado por uma doação da família de Johnson Foundation. Para saber mais, acesse www.afsp.org / lgbt.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Entidade americana investe na prevenção do suicídio de jovens LGBT

Estudantes apontam que um jovem LGBT tem sete vezes mais probabilidade de cometer suicídio.


A National Action Alliance for Suicide Prevention – entidade americana no combate ao suicídio – anunciou na última quinta-feira, dia 30, a criação de uma nova força-tarefa para ajudar na prevenção do suicídio de jovens LGBT do país.


Entidade cria força-tarefa para prevenir o suicídio de jovens LGBT (Foto: iStockphoto.com/Jorge Kroh)
“Essa força-tarefa reunirá as melhores cabeças do país para combater o suicídio e garantir que todos jovens LGBT tenham a oportunidade de crescerem em uma comunidade de apoio e entrarem na idade adulta com segurança”, revelou Charles Robbins, diretor executivo da ONG LGBT Trevor Project e atual dirigente da nova força-tarefa ao lado de Kevin Jennings, diretor do Departamento de Educação e Escolas Sem Drogas dos Estados Unidos.

O aumento dos suicídios de jovens LGBT nos Estados Unidos ganhou destaque na mídia mundial em 2010. Estudos apontam que a probabilidade de um adolescente homo, bi ou transexual se suicidar pode ser sete vezes maior do que a de um heterossexual.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

É válido esse tipo de apelação publicitária?



Esse é o novo comercial do Audi. Nem preciso comentar o quão achei de péssimo gosto o tema pra abordar o produto. Achei além de sem noção nada atrativo....a não ser pela polêmica que pode e deve gerar.


É válido esse tipo de apelação publicitária?


Até que ponto podemos chamar isso de sugestão?Apologia?Idéia infeliz?


Essa propaganda não se enquadraria juridicamente em "incitação ao suicídio"?




Em fim , coisas a pensar, volto aqui com refelxões. Em breve.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Discriminação - Quando o suicídio denuncia.

Discriminação leva jovens homossexuais ao suicídio


“Eu sempre fui o melhor em tudo”, diz Geraldo*, 19. Aluno dedicado e filho comportado, o garoto entrou em crise quando descobriu que é gay. “Vi que não seria o melhor em alguma coisa”, diz.

De tanto ouvir que sua vida estava errada, ele acreditou. Há um ano, injetou ar no braço, à espera da morte. Foi socorrido no hospital.

A história de Geraldo é semelhante à de quatro adolescentes norte-americanos que se mataram em setembro passado, alertando o país inteiro para um tipo de preconceito que pode ser fatal.

As mortes levaram o presidente Barack Obama a gravar um vídeo para o site It Gets Better (isso melhora, em português). A campanha (bit.ly/itgets) reúne depoimentos cuja mensagem é simples: ser gay não é errado.

Ainda assim, os homossexuais são uma minoria que sofre discriminação. Às vezes, a níveis insuportáveis.

Foi assim com o estudante de biologia Henrique Andrade, 21, que no dia 22 foi chamado de “bicha” durante uma comemoração de alunos da USP. “Falaram que eu estava manchando a festa.” Ele levou chutes e socos.

“A homofobia está na sociedade e faz com que o gay ache que ele vale menos do que os outros”, explica Lula Ramires, coordenador do Grupo Corsa (corsa.wikidot.com), que defende a diversidade sexual. A discriminação surge como ingrediente-chave nas pesquisas que apontam para a relação entre homossexualidade, juventude e suicídio.

O bullying pode causar o que os psicólogos chamam de “egodistonia” –alguém não gostar de como é.

“É um sofrimento muito grande se sentir fora da norma”, diz Alexandre Saadeh, psiquiatra do Hospital das Clínicas. “A discriminação, para alguém que é humilhado em casa, por exemplo, pode se tornar insuportável.”

PAIS & AMIGOS

A aceitação ou não dos pais é um fator de peso, segundo Miguel Perosa, professor de psicologia da PUC-SP.

“O jovem pode sentir que não pertence a esse mundo que o discrimina”, afirma.

“Suicídio passa pela minha cabeça todos os dias, está cada vez mais difícil”, desabafa o técnico em farmácia Caio*, 22. Demitido na semana passada, ele diz que foi dispensado porque é gay. Nos corredores, ouvia colegas o chamarem de “veado”.

“Me faz querer dar um fim a isso”, diz. “Eu respiro fundo, mas o pensamento é forte.” Há três anos, ele tomou veneno. Mas sobreviveu.

Psicólogos recomendam que jovens com ideias suicidas busquem ajuda profissional imediatamente. Amigos devem ficar por perto.

Outra sugestão é procurar entidades como o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais, www.gph.org.br), que faz reuniões quinzenais para ouvir jovens gays.

Apesar de nunca ter tentado se matar, Paulo Souza, 20, participou desses encontros.

Há quatro anos, ele perdeu o namorado e amigo de infância que, aos 19 anos, pulou do sétimo andar.

“Ele achava que não tinha futuro sendo gay”, conta.

Sucesso e felicidade, no entanto, independem de orientação sexual.

Entre gays assumidos estão Ian McKellen, um dos mais premiados atores britânicos (o Gandalf de “O Senhor dos Anéis”) e Klaus Wowereit, prefeito de Berlim.

O ator brasileiro e gay assumido Evandro Santos, 35, diz que nunca pensou em suicídio. Famoso pelo papel de Christian Pior no “Pânico na TV”, ele foi expulso de casa quando era adolescente.

“Sobrevivi por um sentimento de vingança. Queria ficar vivo para as pessoas verem que eu seria famoso.”






VAI MELHORAR

A organização do It Gets Better calcula que os vídeos da campanha já tenham sido vistos 15 milhões de vezes.

“Estamos decolando!”, comemora o coordenador Scott Zumwalt, que trabalhou na campanha de Obama –e conseguiu a assinatura da republicana Laura Bush para a petição contra o bullying.

Segundo o Folhateen apurou, está sendo negociado um domínio brasileiro na internet para uma possível versão em português do site.
*Nome fictício

EQUAÇÃO DA MORTE


- Em 2008, 711 brasileiros entre dez e 19 anos se suicidaram; não há números específicos sobre gays
- Suicídio é a quarta maior causa externa de morte de jovens entre 15 e 19 anos (a primeira é homicídio)
- Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes
Fonte: Ministério da Saúde

-

FATORES INTERLIGADOS

- Pesquisas americanas mostram uma relação entre adolescência, homossexualidade e suicídio
- Jovens gays são de duas a três vezes mais propensos a tentar o suicídio quando comparados a jovens heterossexuais
Fonte: “Gay Male and Lesbian Suicide”, de Paul Gibson

-

QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA

Sugestões para lidar com o bullying

1. Há situações em que é melhor não mencionar que você é gay. Se você pressente uma reação negativa, avalie se vale a pena se abrir

2. Em caso de bullying na escola, procure o diretor ou um professor. Denuncie a discriminação. É difícil, mas necessário

3. Ser gay não é bom nem ruim. Não determina caráter.
4 O autopreconceito pode ser pior do que o preconceito dos outros

5 Amigos devem acolher, compreender, aceitar e respeitar sua sexualidade
Fontes: André Fischer (do portal Mix Brasil, Miguel Perosa (professor de psicologia da PUC-SP, e Alexandre Saadeh (psiquiatra do Hospital das Clínicas)

-

ÓDIO NA ESCOLA
Alunos concordam com as seguintes afirmações:

26,6%
“Eu não aceito a homossexualidade”

25,2%
“Pessoas homossexuais não são confiáveis”

23,2%
“A homossexualidade é uma doença”

21,1%
“Os alunos homossexuais não são alunos normais”

17,6%
“Os alunos homossexuais deveriam estudar em salas separadas”

p*tagline).
Fontes: Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em estudo de maio de 2009 realizado em 500 escolas públicas brasileiras



ESTÁ TUDO BEM







“Eu não sei o q ue é ser discriminado por ser gay.
Mas eu sei o que é crescer sentindo que você
não pertence a um lugar. (…) O que eu quero dizer é:
você não está sozinho. Você não fez nada de errado. (…)
E há um mun do inteiro à sua espera.”

BARACK OBAMA,
presidente dos EUA.
























sábado, 11 de setembro de 2010

Suicídios e depressão custaram US$ 32 bilhões ao Japão

O governo do Japão disse que suicídios e depressão custaram quase US$ 32 bilhões à economia do país em 2009.

Os números, baseados em um levantamento nacional, somam custos como renda perdida, tratamentos e benefícios sociais. É a primeira vez que o país divulga esse tipo de dado.

O Japão tem um dos índices de suicídio mais altos do mundo - no ano passado, mais de 32 mil pessoas se mataram.

Autoridades dizem que entre as principais causas para depressão e suicídios estão perda de emprego e má situação financeira.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, vê nos números um sinal de tempos ruins, tanto econômica como emocionalmente. Seu governo está criando uma força tarefa para tentar reduzir esses índices.

A partir de sexta-feira, um vídeo com um astro do futebol japonês pedindo às pessoas que fiquem mais atentas ao problema será exibido no site do governo.

Renda perdida
"Uma vez que o número de suicídios no Japão foi superior a 30 mil por 12 anos, o problema que precisa ser enfrentado por toda a nação", disse um representante do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.

"Esperamos que esse estudo leve a medidas de prevenção mais fortes".

O levantamento mostrou que se as pessoas que cometeram suicídio no país no ano passado - 26.500 pessoas com idades entre 15 e 69 anos - tivessem trabalhado até o momento de se aposentar, teriam ganho 1,9 trilhão de ienes (US$ 22,5 bilhões).

Entre os outros custos incluídos no cálculo estão os salários perdidos por pessoas que deixaram de trabalhar por causa de depressão (de US$ 1,9 bilhão), o salário-desemprego pago a essas pessoas, o tratamento médico e outros benefícios sociais.

O premiê Naoto Kan disse que os índices de suicídio são prova daquilo que, segundo ele, está errado com o país: muitas pessoas sofrendo economicamente e emocionalmente.

"Há muitas causas para suicídios. Diminuí-las seria uma forma de construir uma sociedade com um nível mínimo de infelicidade", ele disse.

Mas as atitudes em relação à depressão no Japão também requerem atenção urgente, dizem correspondentes.

Em um país onde estoicismo e consenso são altamente valorizados, muitas pessoas, em particular os mais velhos, veem a doença mental como um problema que pode ser superado se a pessoa se esforçar mais.

Segundo os correspondentes, o uso de psicoterapia para tratar depressão fica bem atrás dos índices praticados na América do Norte e na Europa e médicos japoneses tendem a considerar remédios a única resposta para o problema.